Sobre a célula sintética

Tem produzido grande repercussão em todo mundo, o anúncio da criação da primeira célula sintética pela equipe de investigação liderada por Craig Venter do J. Craig Venter Institut, publicado em artigo da edição de 20 de maio da ScienceExpress.

imagem original: J. Craig Venter Institut

A evolução da ciência genômica nos últimos anos, se direcionou no sentido de permitir a “leitura” do código genético dos organismos vivos através do seqüenciamento do seu DNA. As informações identificadas no processo são inseridas em computadores de forma que a composição química do DNA seja convertida em “zeros” e “uns”. O anuncio feito esta semana, apresenta a possibilidade de inversão deste processo, de forma que a partir dos “zeros” e “uns” gerados por um computador se possa definir as características de uma célula viva, ou seja indica o surgimento da capacidade de escrever o software da vida, inaugurando uma nova era na ciência. É possível vislumbrar uma enorme quantidade de aplicações, como a produção de bactérias úteis, que podem ser utilizadas em novas vacinas e medicamentos, biocombustíveis, ou na limpeza do meio ambiente.

O artigo publicado relata que os cientistas conseguiram produzir em laboratório um genoma sintético e transferi-lo para a célula de uma bactéria (Mycoplasma mycoides), o mesmo substituiu o DNA original do organismo, passando a controlar a célula.

Várias discussões em torno do assunto circundam as esferas da ética, da ciência e da religião. O governo americano solicitou imediatamente um estudo à comissão de bioética da Casa Branca, para levantar os limites éticos implicados na questão. Ao mesmo tempo autoridades católicas italianas, mostraram perplexidade ao declarar que a pesquisa seria um “devastador salto ao desconhecido”.

Em declarações reproduzidas em artigo do Pesquisa Fapesp, o pai da célula sintética, Craig Venter afirmou que “trata-se de um avanço tanto filosófico como técnico”, e acrescentou que a célula sintética criada seria “a primeira espécie que se autorreplica do planeta cujo pai é um computador”.

imagem original: J. Craig Venter Institut

No intuito de esclarecer possíveis equívocos, especialistas têm se manifestado sobre o tema. Em artigo publicado no Correio Brasiliense, Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), afirma que “os pesquisadores transformaram uma célula viva em outra célula. O que foi colocado de diferente é o genoma. O certo, então, é falarmos em uma célula programada”. No mesmo artigo, Marcelo Briones, chefe da disciplina de microbiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que “há uma grande diferença entre biologia sintética e vida artificial”. A longo prazo, várias são as possibilidades existentes, inclusive, de desenharmos um organismo do jeito que quisermos”.

Referências:

Pesquisa Fapesp
O impacto da biologia sintética

J. Craig Venter Institute
First self-replicating synthetic bacterial cell

O artigo publicado na edição de 20 de maio da ScienceExpress
Synthetic Biology Breakthrough

Correio Brasiliense
Primeira célula com DNA semi-sintético causa reações do governo dos EUA e da igreja

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

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