Os sons das partículas de Deus

No Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas já construído, centenas de pesquisadores de várias partes do mundo tentam identificar a “partícula de Deus”, termo usado pelo prêmio Nobel em física Leon Lederman para denominar o Bóson de Higgs.

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Em termos sonoros, como poderia ser representado este fenômeno da física? Um dos pesquisadores do LHC, a física de partículas Lily Asquith, se questionou sobre isso, e passou pesquisar como poderia conceber um som emitido a partir dos experimentos efetuados em busca da almejada partícula que ocorrem nos extensos túneis da máquina de 27 quilômetros.

Asquith formou uma equipe de físicos de partículas, músicos e artistas e criou o projeto LHCSound. O objetivo é transformar em música os dados coletados pelo detector de partículas ATLAS (A Toroidal LHC ApparatuS), experimento que funciona dentro do LHC.

Propriedades de energia, massa, velocidade ou posição espacial, são mapeadas, de forma que suas variações, passam a ser identificadas por meio de representações numéricas. Os dados são interpretados pelo software de composição músical Csound, de maneira que para cada propriedade é atribuido um som que é modulado pelas variações da mesma. O resultado é uma combinação variada de sons, sendo que alguns deles estão disponíveis para audição em arquivos MP3 no site do projeto.

O processo utilizado é denominado sonorização, e entre outras aplicações, é usado para ajudar pessoas cegas a poder interpretar cores que não conseguem discernir, com o uso de códigos de som diferenciados. Por outro lado, também pode ser considerada a dimensão artística deste tipo de técnica. O site espanhol abc.es publicou o texto El espeluznante sonido de «la máquina de Dios» em que classificou alguns sons extraídos a partir do LHC, como semelhantes ao barulho de água corrente ou a uma trilha sonora de um filme de terror.

Baseando-se em sua utilidade em estudos no campo da física, podemos entender a sonorização como uma excelente ferramenta para compreensão de dados variados. Segundo Asquith, nossos ouvidos são detectores sofisticados, podemos determinar a direção de um som em torno de aproximadamente 3 graus, ou detectar a diferença na freqüência de cerca de 0,3%. Na visão da pesquisadora, o método é útil para representar diversas dimensões ou aspectos de dados ao mesmo tempo, sem sobrecarregar o observador.

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

REFERÊNCIAS:
Newscientist
CultureLab: LHCsound: Listening to the God particle

ABC.es
El espeluznante sonido de «la máquina de Dios»

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