Mídia NINJA: o jornalismo alternativo das mídias sociais


A Mídia NINJA, acrônimo de Narrativas INdependentes, Jornalismo e Ação é uma iniciativa de “jornalismo-cidadão” que se destaca e ganha poder de influência em meio às manifestações populares pelo país.

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O projeto surge num contexto em que cidadãos se apropriam intensamente de dispositivos e tecnológicos portáteis e de plataformas de publicação de conteúdos na internet para registrar e comunicar suas perspectivas de fatos e acontecimentos.

A idéia é estabelecer um contraponto aos meios de comunicação tradicionais (TVs, jornais e rádios), atraves do uso de recursos online como os disponibilizados pelo Facebook, Youtube, Twitter, ferramentas de streaming, e outros . A cobertura feita pelo grupo repercute de modo crescente tanto nas redes sociais, como também em TV e Jornais, durante os protestos em várias cidades, ao mostrar relatos interessantes, e ao mesmo tempo denunciar e prevenir abusos policiais.

Nesta semana, no decorrer dos protestos organizados no Rio de Janeiro, por ocasião da chegada do Papa, oito membros do grupo que transmitiam os eventos foram presos por policiais sem identificação, veja o vídeo acima. Uma multidão se reuniu em frente ao 9º DP da cidade até a soltura dos ativistas, ao final da noite.

A origem do projeto é o movimento “midialivrismo” que teve como laboratório inicial uma cobertura jornalística feita pelos membros da Rede Fora do Eixo, Rafael Vilela e Thiago Dezan, que percorreram 11 aldeias Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul. O material foi publicado no Coluna PósTV Guarani Kaiowá.

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Seguindo a proposta “midialivrista”, a Mídia NINJA foi criada em São Paulo, e se espalhou pelo país. Em suas primeiras ações seus integrantes foram à Tunísia para cobrir o Fórum Social Mundial de 2013. E na chamada “A Missão Marabala“, acompanharam o Julgamento do assassinato dos ativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, no interior do estado do Pará. Todo o material produzido foi licenciado em Creative Commons para livre uso e reprodução.

No áudio abaixo, o integrante Bruno Torturra entrevistado por Jacqueline Lafloufa, fala um pouco sobre as idéias do projeto, soluções e dificuldades técnicas, e as “gambiarras” necessárias numa cobertura em tempo real pela internet.

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Conforme seus organizadores, o grupo visualiza “o potencial de utilização dessas ferramentas on-line, além da crescente acessibilidade a cada vez mais equipamentos e por preços cada vez menores, abre-se espaço para uma real disputa de imaginário através de meios de difusão de informação acessíveis a todos“.

Em meio as discussões sobre formas alternativas de jornalismo, é interessante conhecer às criticas do repórter Arthur Rodrigues (Estado de S. Paulo) e ao resposta de Bruno Torturra (Mídia Ninja) publicada na Revista Forum.

Os conteúdos produzidos pelo Mídia NINJA podem ser acompanhados por vários canais entre eles Flickr, streaming via Twitcasting, Facebook e Twitter. Qualquer pessoa pode participar e dar sua contribuição.

Referências:

Observatório da Imprensa
POSTV, de pós-jornalistas para pós-telespectadores por Elizabeth Lorenzotti

CatracaLivre
“Ninjas” do jornalismo travam guerrilha pela liberdade da mídia por Felipe Blumen

O Estado de S. Paulo
No meio do redemunho por Camila Hesse

Blue Bus
Cobertura independente do Mídia NINJA – Blue Bus entrevista Bruno Torturra por Jacqueline Lafloufa

Mídia Livre – Fora do Eixo
A Mídia Livre Fora do Eixo

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

1 thought on “Mídia NINJA: o jornalismo alternativo das mídias sociais”

  1. Embora tenham conquistado inúmeros seguidores com esse formato noticiar, eles são alvos de críticas com relação a serem financiados pelo PT. Tem fundamento? Abraços

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