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Visualização de dados: arquivos secretos da Guerra no Afeganistão

por Daniela Kutschat | 30 July 2010 | 3 comentários

Um enorme arquivo Excel com 92.201 linhas de dados, totalizando 91.731 relatórios que descrevem uma infinidade de acontecimentos sucedidos num vasto território de guerra num período de 6 anos.

Para que seja transformado em informações compreensíveis, todo este material precisa ser verificado quanto a sua autenticidade, categorizado e analisado, o que envolve o trabalho de uma equipe diversificada, formada por jornalistas, designers e programadores.

Este é o desafio que se apresenta aos jornais The Guardian, New York Times e Der Spiegel que trabalham em conjunto na série de reportagens, artigos e gráficos “Afghanistan Warlogs”, baseados nos arquivos secretos da guerra do Afeganistão que vazaram recentemente no site Wikileaks. Segundo as publicações, o material permite um nível de detalhamento nunca antes visto, para possa ser feita a comparação entre o que é divulgado pela máquina de propaganda militar americana, e a realidade crua nos campos de batalha, a partir da perspectiva dos próprios soldados.

Em um dos artigos, o Guardian descreve aspectos deste trabalho, fazendo menção a atuação de vários profissionais. Desenvolvedores de software como Daithi O Crualaoich produziram um banco de dados agregando todo o material. A partir disso, designers como Paul Scruton, Igor Clark, Paddy Allen, Mark McCormick e Alastair Dant acessaram os dados mais facilmente para criarem visualizações dos mesmos, como em  “Afghanistan IED attacks – 2006 to 2009“, “Afghanistan war logs: our selection of significant incidents” e “Afghanistan war logs: IED attacks on civilians, coalition and Afghan troops“.

O trabalho também se direciona a tornar os dados mais inteligíveis, para equipes de repórteres investigativos e especializados efetuarem pesquisas e interpretarem os conteúdos no objetivo de revelar grandes histórias humanas a partir da informação bruta.

Em relação ao episódio da divulgação dos arquivos secretos da guerra na internet, um dos colunistas do Guardian, Roy Greenslade elogiou o Wikileaks, como uma forma de publicação que atua contra as “forças reacionárias” que buscam evitar a exposição.

Cabe ressaltar que, mesmo sendo explicitada uma intenção de informar, os jornais já afirmaram ter uma preocupação em não publicar informações sensíveis, como os nomes de informantes afegãos ou detalhes que possam criar riscos de segurança adicionais para os soldados.

É possível afirmar que o Wikileaks personifica a tendência para novas formas de informar, que se caracterizam por um maior espaço para participação dos indivíduos. Os meios tradicionais de informação terão que se adaptar a este contexto emergente.

Referências:

Spiegel Online
The Afghanistan Protocol

The Guardian
Afghanistan war logs: IED attacks on civilians, coalition and Afghan troops

The Guardian
Wikileaks’ Afghanistan war logs: how our datajournalism operation worked

The New York Times
The War Logs

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

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