Chamada de artigos: Liinc em Revista

Até dia 8 de julho de 2014, artigos que abordem o tema “Desafios contemporâneos à produção colaborativa em ciência, tecnologia e inovação” podem ser submetidos para a publicação Liinc em Revista.

liinc

Os trabalhos selecionados vão compor um dossiê organizado pelas professoras Maria Lucia Maciel (UFRJ) e Sarita Albagli (IBICT) na edição de número 2, volume 10, de novembro de 2014.
A Liinc em Revista é coordenada pela UFRJ e o IBICT, e publicada pelo Laboratório Interdisciplinar em Informação e Conhecimento.

Mais informações no site da publicação.

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Interatividade controlada pela mente

Muse é um dispositivo com a forma similar a um fone de ouvido que funciona como um mecanismo interativo para monitoramento da mente e controle de aplicativos por meio de ondas cerebrais.


Há uma variedade de possibilidades de uso, além de jogos, por exemplo, a interação com aplicativos de fitness, monitoramento das emoções, humor, nível de concentração, memória e stress, em resposta diversas tarefas.

Produzido pela empresa InteraXon, o equipamento executa o monitoramento de ondas cerebrais mesclando a tecnologia tradicional da eletroencefalografia (EEG) com dispositivos da Apple e placas microcontroladoras Arduino. Quatro sensores de ondas cerebrais ficam em contato com a fronte do utilizador e dois ficam escondidos atrás das orelhas. As medições captadas são enviadas para um equipamento externo via Bluetooth.

Nos últimos jogos olímpicos de inverno, o Muse foi utilizado pelo público para controlar a iluminação das cataratas do Niagara, CN Tower, e os edifícios do Parlamento do Canadá localizados a 2000 quilômetros de distância.

Uma das intenções da InteraXon é possibilitar a desenvolvedores a criação de aplicativos que funcionem sincronizados com “dados brutos de ondas cerebrais” recolhidos pelo Muse. Para o fundador da empresa Trevor Coleman, o dispositivo amplia os cinco sentidos já conhecidos oferecendo um novo para detectar, entender e ver uma série de coisas que antes não era possível perceber.

Referências:

Cnet
Brains-on with Muse, Interaxon’s mind control headset por Christopher MacManus

The Huffington Post
Interaxon’s Mindreading Muse ‘Gets’ You Better Than A Human Ever Could por Bianca Bosker

Engadget
Muse brain-sensing headband thoughts-on (video) Hands-on por Jamie Rigg

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Projeto CASPAR: preservação de dados digitais para o futuro

O projeto CASPAR é uma iniciativa que tem como objetivo pesquisar, implementar e disseminar soluções inovadoras para a preservação digital.

O CASPAR – Cultural, Artistic and Scientific knowledge for Preservation, Access and Retrieval, percebe a informação digital como algo vulnerável e extremamente frágil. Este tipo de informação, indispensável e presente em todos os lugares, exige ferramentas e técnicas confiáveis e de custos eficazes para sua preservação confiável e segura no futuro. Esta preocupação atinge não só registros oficiais, como arquivos de museus, dados científicos, ou mesmo até uma coleção de fotos de família.

Dados oriundos de várias organizações serão tratados pelo CASPAR, entre elas, a UNESCO com foco em patrimônio da humanidade e reserva da biosfera, Agência Espacial Européia com foco nos fluxos de dados captados por satélites para ciência ambiental, e os institutos franceses Groupe de Recherches Musicales (INA-GRM) e Institut de Recherche et de Coordination Acoustique-Musique (IRCAM) com foco na música eletrônica.

Com apoio da União Européia, o site do projeto hospeda uma comunidade que forma uma rede global para debater o tema. Também é disponibilizada uma coleção de vídeos de palestras e capturas de tela de software, além de um repositório de apresentações, artigos e projetos sobre preservação digital.

Referências:

UNESCO
Digital data – here today, gone tomorrow

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Dica de Ronaldo, de Brasília

Uma tabela periódica de métodos de visualização

Uma compilação de 100 diferentes métodos de visualização, apresentados numa estrutura inspirada na tabela periódica dos elementos.


Para ver versão ampliada e interativa clique aqui

O trabalho foi realizado, por dois pesquisadores da Universidade de Lugano (Suíça), Ralph Lengler e Martin J. Eppler. Os métodos são organizados em seis categorias de visualização (dados, informação, conceito, estratégia, metáfora e visualizações compostas), usando o mouse (mouseover) é possível conhecer um exemplo de cada um deles.

Para entender as regras e os critérios, assim como fundamentos e vantagens desta proposta de estruturação do conhecimento sobre métodos de visualização, é interessante ler o artigo “Towards A Periodic Table of Visualization Methods for Management”, publicado em 2007 pelos pesquisadores suíços.

Cliques no combate ao câncer: crowdsourcing e ciência

O Clicktocure.net é um site que convida o público a colaborar com cientistas para acelerar a análise de dados em pesquisas de combate ao câncer.

Com dois milhões de imagens de células cancerosas que necessitam ser analisadas, os pesquisadores recorrem ao poder do trabalho coletivo de não-especialistas (Crowdsourcing) para processar informações de modo mais rápido e eficaz.

Este tipo de abordagem, utilizada em variados projetos científicos, vem sendo chamada de “Citizen Science“. No projeto Clicktocure.net, os não-cientistas colaboram voluntariamente com a análise dos dados ao identificar as partes coloridas da imagem e as indicar por meio de avisos que são armazenados num banco de dados.

O foco é utilizar a força da colaboração voluntária das pessoas para descobrir como diferentes células cancerosas se comportam em relação a variados tratamentos. Pelo método convencional, o trabalho era realizado por patologistas treinados, que em muitos casos atuavam também como pesquisadores. Por meio da nova abordagem, estes profissionais serão liberados para se dedicar de modo mais integral a outras pesquisas sobre o câncer.

De acordo com Andrew Hanby, patologista da University of Leeds, o trabalho coletivo voluntário apresenta ocasionalmente alguns cliques acidentais e imprecisões, mas apesar disso, os resultados são melhores que qualquer algoritmo de computador atual.

Neste sentido, uma série de controles foram estabelecidos para que os dados sejam mais confiáveis. Uma percentagem do conjunto de dados é analisada por patologistas e suas respostas são correlacionadas com as dos usuários ajudando o sistema a identificar os usuários confiáveis. Cada imagem é vista pelo menos cinco vezes, permitindo ao sistema aprender sobre a precisão de um usuário, no intuito de alimentar um processo de exclusão de informações imprecisas.

O projeto é promovido pelo instituto britânico Cancer Research UK, e realizado em colaboração com o Zooniverse, site que convida astrônomos amadores para análise de dados fornecidos pela Nasa.

Referências:

University of Leeds
World’s first citizen science project to speed up cancer research

WIRED.co.uk
Citizen science project crowdsources identification of cancer cells por Liat Clark

Cancer Research UK
Help us beat cancer – with just a few clicks of your mouse por Henry Scowcroft

Crowdsourcing,org
Charity harnesses crowds for cancer research por Tonya Van Dijk

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Scale Structure Synthesis, música gerada pela dança das partículas

Scale Structure Synthesis, é um projeto que utiliza a música para estudar a “dança” incessante de pequenas partículas em nanoestruturas.
As partículas em questão são esferas de poliestireno, com um milionésimo de um metro de diâmetro (um micron). Ao flutuarem num líquido, elas são empurradas para trás e para frente produzindo o que é chamado como movimento browniano. A música é produzida a partir desta movimentação. Com a ajuda de um microscópio ótico de alta potência, e um software de computador, são efetuadas observações e mapeamentos das partículas suspensas no líquido.
[soundcloud params=”auto_play=false&show_comments=true”]http://api.soundcloud.com/tracks/26623007[/soundcloud]
As distâncias que percorrem em seu deslocamento, e o ângulo de suas movimentações são respectivamente representados de modo sonoro gerando a frequência para música, e a distorção harmônica. O som sintético é reproduzido no ambiente de uma instalação por uma série de alto-falantes.

Desenvolvido pela Universidade de Sheffield, (Reino Unido), a iniciativa é conduzida pelo artista e compositor Mark Fell e pelo engenheiro bioquímico PhD Jonathan Howse.

Além de produzir resultados relacionados a aspectos estéticos, o projeto busca revelar curiosidades a respeito do comportamento das partículas, que podem ser importantes no desenvolvimento de tecnologias ligadas a indústria bioquímica.

Referências:

Create Digital Music

Nanomusic: Mark Fell Turns to Neuroscience and High-Power Microscopes for Particle Music por Peter Kirn

Revista Pesquisa FAPESP

Carmen Prado: Física da USP relaciona movimento browniano, fractais e a teoria do caos por Fabrício Marques

BBC

Music from tiny particles’ movements set to debut por Jason Palmer

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Uma visualização de dados sobre a história da Filosofia

O estatístico inglês Simon Raper criou um interessante trabalho de visualização de dados abordando a história da filosofia em seu site Drunks&Lampposts.

O trabalho de Raper demonstra graficamente uma rede de relações e influências entre filósofos e pensadores de diferentes épocas a partir das informações inseridas por colaboradores na Wikipédia.

Cada filósofo representa um nó na rede, e as linhas entre eles (arestas, conforme a teoria dos grafos) revelam as relações de influência. O tamanho dos nós são dimensionados conforme o número de conexões.

Raper utilizou o software gratuito Gephi, que funciona como ferramenta para análise e visualização de dados. Os dados da Wikipédia foram recolhidos por meio da DBpedia, um projeto direcionado a extrair conteúdo estruturado das informações da Wikipédia para disponibilização num banco de dados acessível na internet.

Os gráficos foram desenhados com a utilização de princípios da classe de algoritmos de Fruchterman-Reingold (force-directed). Desenvolvidos por Thomas Fruchterman e Edward Reingold em 1991, os algoritmos apresentam entre as principais características, uma visualização em que os vértices são distribuidos igualmente no espaço disponível, a redução do cruzamento de arestas, a uniformização do tamanho das arestas, e busca de simetria. O intuito é produzir gráficos de uma forma esteticamente interessante e mais fáceis para a compreensão.

Uma versão dos gráficos em arquivo vetorial pode ser baixada aqui.

Referências:

The New York Times – Opinionator
Stone Links: A Constellation of Philosophers por Mark de Silva

OpenCulture
The History of Philosophy Visualized por Mark Linsenmayer

Drunks & Lampposts
Graphing the history of philosophy por Simon Raper

V Brazilian Symposium on Computer Games and Digital Entertainment – Recife
Levantamento de características referentes à análise de redes sociais nas comunidades virtuais brasileiras de jogos on-line por Lia C. Rodrigues e Pollyana N. Mustaro

UFRGS
Teoria dos Grafos por Edson Prestes

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Neurociência, marketing e o subconsciente dos consumidores

Técnicas de eletroencefalografia, eye tracking (captura dos movimentos dos olhos), e medições biométricas (freqüência cardíaca, respiração, movimento corporal, pressão arterial, e etc.) são cada vez mais utilizadas para a análise de respostas do subconsciente de consumidores.
http://www.youtube.com/watch?v=P4bedGudg_E

No vídeo acima, o dispositivo Mynd criado pela em presa NeuroFocus

Denominado como Neuromarketing, este conjunto de aplicações e metodologias busca identificar sentimentos, emoções e preferências a respeito de marcas, produtos, embalagens, ações de marketing e publicidade.

A NeuroFocus, uma das empresas que lidera as pesquisas neste campo, desenvolveu em 2011, um dispositivo semelhante a um fone de ouvido, denominado Mynd, que funciona como um scanner cerebral portátil, possibilitando o monitoramento das atividades produzidas pelas ondas cerebrais através do cérebro inteiro. Diferente dos aparelhos de eletroencefalograma convencionais, o equipamento dispensa o uso de gel, ou mesmo a conexão direta de fios na cabeça do indivíduo.

Em 2008, a empresa passou a ter como um dos seus principais investidores, a Nielsen Company, maior consultoria de pesquisas sobre consumo e audiência no mundo. Segundo a NeuroFocus, as medidas diretas de ondas cerebrais (EEG) produzem pesquisas de mercado com resultados mais precisos do que entrevistas e grupos de foco, considerando que existem muitas diferenças entre o que as pessoas relatam e o que realmente pensam. O que se propõe é a análise das atividades em diferentes regiões cerebrais, como um modo de medir de que forma uma ação de marketing ou um produto, pode por exemplo, prender a atenção, provocar emoções, ou fixar-se na memória.

NeuroFocus assegura a confiabilidade de sua tecnologia ao agregar em seu conselho consultivo pesquisadores do MIT e reconhecidos cientistas ligado a neurociência. Mas, por outro lado, surgem preocupações sobre a invasão de privacidade que envolve a “leitura da mente”, e suspeitas sobre a possibilidade de indução de pessoas ao consumo de coisas que não querem ou não precisam. Entre as opiniões divergentes,  o pesquisador Mike Page, da Universidade de Hertfordshire na Inglaterra, afirma em artigo ao Telegraph, que a tecnologia EEG revela onde a atividade cerebral está localizada, mas não pode identificar seguramente o conteúdo mental associado a atividade em questão. Segundo esta perspectiva, não é possível a distinção entre diferentes emoções, como por exemplo, o amor e a repulsa.

Lançado no Brasil em abril de 2012, o livro “Cérebro Consumista” (originalmente “The Buying Brain“) de A. K. Pradeep, presidente mundial da NeuroFocus, é uma das principais referências para conhecer o neuromarketing do ponto de vista de seus defensores, e suas propostas de mesclar conhecimentos da neurociência e do marketing para compreender melhor potenciais consumidores.

Referências:

Telegraph
Neuromarketing: reading our festive desires por Roger Highfield

NeuroGadget
NeuroFocus Reveals Mynd the First Wireless Full-Brain EEG Headset

NEW SCIENTIST
Innovation: Market research wants to open your skull

Mashable
Facebook’s Secret to High Emotional Engagement? Faces por Todd Wasserman

Meio&Mensagem
Neuromarketing: best seller chega ao Brasil por Jonas Furtado

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

The Radioactive Orchestra

The Radioactive Orchestra é um projeto que tem como objetivo explicar a radioatividade através da música.

O projeto oferece uma interface Web que permite compor músicas baseadas nos movimentos reais de 3.175 isótopos radioativos, e ao mesmo tempo obter dados científicos sobre cada um deles.

As melodias surgem a partir de freqüências isotópicas, elaborando uma tradução das características presentes na energia radioativa para uma forma mais tangível. Esta representação musical é baseada nas assinaturas características dos raios gama que os átomos emitem naturalmente em torno de nós o tempo todo, tendo como princípio o estabelecimento de comparações entre parâmetros físicos e musicais.

A iniciativa surgiu de uma colaboração entre o Instituto Real de Tecnologia ou Kungliga Tekniska Högskolan (KTH) e o Instituto de Formação e Segurança Nuclear Sueca (KSU). A trilha sonora foi criada pelo DJ baseado em Estocolmo Axel Boman, e o artista eletrônico Kristofer Hagbard que desenvolveu a interface interativa.

Referências:

Make
Make Music With Radioactivity

Brain Pickings
Radioactive Orchestra: Making Music from Nuclear Isotopes por Maria Popova

Designboom
Axel Boman and the Radioactive Orchestra

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Diagnóstico de Catarata por celular

Uma equipe de pesquisadores do MIT Media Lab Camera Culture Group liderada por Ramesh Raskar, propõe uma nova solução para diagnosticar e quantificar cataratas por meio de um aparelho celular.

O dispositivo chamado Catra faz uma varredura do olho com um feixe de luz para detectar uma eventual opacidade no cristalino que pode identificar a catarata.

A catarata é a principal causa evitável de cegueira no mundo, afetando 250 milhões de pessoas. O exame para detecção atualmente adotado requer um instrumento denominado lâmpada de fenda que custa aproximadamente 5.000 dólares. Também é preciso um médico capacitado para fazer a avaliação dos resultados. Em locais de difícil acesso, e regiões pobres dificilmente ambas as condições podem ser atendidas. Com o recurso do Catra, o próprio paciente poderia fazer o exame, de modo a proporcionar o diagnóstico da doença em sua fase inicial de forma simples e com baixo custo.

A pesquisa contou com a participação dos brasileiros Manuel Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Esteban Clua, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) no Brasil.

O projeto abarca conhecimentos de computação gráfica, ótica e técnicas de interatividade e tem entre seus objetivos a produção de mapas detalhados em que será possível visualizar, por exemplo, a gravidade e localização dos casos da doença. O uso clínico do teste ainda depende de um processo de validação clínica mais detalhado, em que a equipe de pesquisadores vai efetuar testes utilizando o Catra num universo maior de indivíduos.

Referências:

MAKE
Smartphone Accessory Detects Cataracts por Adam Flaherty


Mashable

Smartphone Attachment Diagnoses Cataracts por Jennifer Van Grove

MIT News
Radar for the human eye por David L. Chandler

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

A dinâmica do hardware aberto inspirada no software livre

Um dos maiores e mais respeitados centros de pesquisa científica no mundo, o CERN, está patrocinando uma importante iniciativa que apoia o espírito da disseminação do conhecimento em consonância com os ideais da chamada “Open Science”.

A organização lançou uma licença, denominada CERN OHL, que estabelece um marco legal para facilitar a troca de conhecimento entre a comunidade de designers que desenvolvem hardware. O que se propõe é reproduzir no âmbito do desenvolvimento de projetos de hardware, as mesmas vantagens e níveis de produtividade percebidos nos processos de desenvolvimento do Sistema Operacional Linux, e softwares open-source em geral.

Por meio da licença. é concedida aos usuários a liberdade de estudar, modificar, redistribuir os resultados relacionados tanto a documentação como a concepção e fabricação. Ao mesmo tempo, é estipulada a obrigação de compartilhamento para qualquer indivíduo que modifique ou melhore o projeto, o que gera uma natureza “persistente” da licença, e permite que todos possam se beneficiar das inovações.

Na mesma direção, o CERN também já havia lançado dois anos atrás uma comunidade chamada Open Hardware Repository (OHR) com o objetivo de incentivar projetos eletrônicos de colaboração. Atualmente a OHR disponibiliza 40 projetos de várias instituições com a suas especificações técnicas como, diagramas, layouts, esquemas de circuitos ou placas de circuito impresso, desenhos mecânicos, fluxogramas e textos descritivos, entre outros detalhes.

Um dos motivos que levaram a criação do repositório é a busca do compartilhamento de resultados no intuito de estabelecer um trabalho simultâneo e coordenado entre equipes diferentes para a solução do mesmo problema evitando duplicação de esforços.

Large Hadron Collider (CERN)

O CERN (The European Organization for Nuclear Research) administra entre outros grandes projetos o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider), e nos anos 80 desenvolveu em colaboração com físico inglês Tim Berners-Lee o projeto World Wide Web.

Referências:

Ars Technica
For the good of all of us: CERN launches open source hardware effort por Ryan Paul

MAKE
CERN Embraces Open Hardware por John Baichtal

Adafruit
CERN launches Open Hardware initiative – Open Hardware License is here…

Guardian.co.uk
Open science: a future shaped by shared experience por Bobbie Johnson

Inovação tecnológica
CERN lança iniciativa de hardware aberto

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Estudo aponta empecilho para utilização de células-tronco reprogramadas

Um estudo publicado na revista Nature, aponta problemas para a anunciada reprogramação de células adultas objetivando a geração das chamadas células-tronco pluripotentes, ou seja, células que se transformam em qualquer tipo de tecido do corpo, tal como ocorre com as células-tronco embrionárias, mas sem que seja necessária  a destruição de embriões.

Crédito: Junying Yu/University of Wisconsin-Madison
Credito: Junying Yu/University of Wisconsin-Madison

Produzido por pesquisadores da University of California, San Diego, liderados pelo biólogo moleculares Yang Xu, o trabalho identificou que estas células podem ser rejeitadas pelo organismo, inclusive quando transplantadas para o indivíduo de qual elas tiveram origem.

Testes realizados em transplantes de células em ratos, apontaram ataques do sistema imunológico aos tecidos produzidos pelas células reprogramadas, que não foram reconhecidos como “eu” pelo organismo do hospedeiro, mesmo quando a constituição genética era igual a dos animais doadores

Apesar disso, Xu adverte que os resultados não espelham a totalidade das situações clínicas, e os estudos comparativos entre células-tronco pluripotentes e células-tronco embrionárias ainda são iniciais, e muitas pesquisas podem ser necessárias a fim de minimizar a diferença entre ambas, visando o desenvolvimento de terapias celulares inovadoras para diversos tipos de doenças.

Referências:

Nature
Reprogrammed cells trigger immune reactions in mice

Technology Review
A Possible Setback for Reprogrammed Stem Cells

Agência Fapesp
Contribuição brasileira

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Circuitos de luz

A norte-americana Michal Lipson, física e professora na Universidade de Cornell, propõe substituir os elétrons pelos fótons (partículas elementares da luz) na transmissão de dados.

Coordenadora do grupo de nanofotônica da instituição, o Cornell Nanophotonics Group – CNG, pioneiro nesta pesquisa, Lipson propõe que o avanço das tecnologias que utilizam elétrons chegou a um ponto de saturação. Os fios elétricos aquecem e dissipam energia quando transportam os elétrons em determinadas distâncias, o que produz perdas. Já os dutos de luz não dissipam energia, e por isso não ocorrem perdas, e neste sentido a utilização de fótons pode ser vantajosa em relação aos elétrons, como um meio ideal para processar os dados em dispositivos eletrônicos, inclusive diminuindo o consumo de energia.

O CNG, já demonstrou um modulador eletro-óptico de silício que pode transmitir a luz na velocidade de 18 gigabytes por segundo. Em comparação, os convencionais podem chegar até 6 gigabytes por segundo.

O grupo de pesquisa também está trabalhando em outra tecnologia: a criação de um tecido de silício que desvia e reflete a luz, tendo por objetivo enganar o observador, para gerar invisibilidade.

Lipson é filha de Reuven Opher, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), e morou no Brasil até os 19 anos. Seu trabalho recebeu o reconhecimento do MacArthur Fellows Program, premiação destinada a talentos emergentes em vários campos do conhecimento.

É possível ler artigos da pesquisadora em sua página na Universidade de Cornell.

Para saber mais, é interessante ler a entrevista com Michal Lipson publicada no site da Agência Fapesp.

Referências:

Agência FAPESP
Criação de circuitos de luz por Por Fábio Reynol

TechnologyReview
Carpet Cloaks Bring Invisibility to the Optical World

Popsci
New Steps Towards A Real Invisibility Cloak por Rebecca Boyle
http://www.popsci.com/scitech/article/2009-05/new-steps-towards-real-invisibility-cloak

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Pele eletrônica

Pesquisadores do Nokia Research Center e da Universidade de Cambridge desenvolvem uma “pele” elástica eletrônica sensível ao toque, que poderá ser utilizada em roupas e acessórios. Ela funcionaria como uma interface integrada para uma série de dispositivos como telefones, relógios ou computadores.
http://www.youtube.com/watch?v=ZOJ2QSioTA0

Diferente das tradicionais placas de circuitos eletrônicos, que são sólidas, o material flexível em desenvolvimento pode esticar até 20% do seu tamanho original, e é capaz de assumir qualquer forma.
Referências:

Gizmo Watch
Nokia developing stretchable mobile phones for your wrist and clothing por Bharat

Nokia Conversations
Beyond Morph – a visit to Nokia Research Center Cambridge por JBC

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Antena com nanotubos de carbono aumenta eficiência de energia solar

Em vez de se instalar nos telhados das casas, grandes painéis solares com células fotovoltaicas para produção de energia solar, um grupo de engenheiros quimicos do MIT propõe a adoção de pequenos spots portando minúsculas células fotovoltaicas que concentrariam os fotons captados por antenas equipadas com feixes de nanotubos de carbono.

A antena teria de 10 micrômetros de comprimento e quatro micrômetros de espessura, contendo cerca de 30 milhões de nanotubos de carbono nos quais os fotons seriam transportados.

Segundo os pesquisadores, os custos para a produção de nanotubos de carbono eram muito elevados até pouco tempo, mas têm gradualmente caído em função dos avanços na capacidade de produção, por esta razão acredita-se que em breve a utilização desta tecnologia seria viável economicamente, tendo em vista que é 100 vezes mais eficiente que o método convencional. Além da produção de energia solar, este desenvolvimentos poderiam ser útéis em determinadas situações em que se exige concentração da luz, como em óculos de visão noturna ou em telescópios.

O trabalho foi financiado pelo National Science Foundation Career Award e MIT-Dupont Alliance e Korea Research Foundation.

Referências:

Inhabitat
IT’s Solar Funnel Concentrates Solar Energy 100 Times por Timon Singh

MIT News
Solar funnel por Anne Trafton

Science News
Funneling Solar Energy: Antenna Made of Carbon Nanotubes Could Make Photovoltaic Cells More Efficient

Artigo publicado pelo pesquisadores do MIT na Nature Materials:
Exciton antennas and concentrators from core–shell and corrugated carbon nanotube filaments of homogeneous composition

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Robôs que comem petróleo

Seaswarm, projeto criado pelos pesquisadores do SENSEable City Lab do MIT, é um sistema constituído por um conjunto de robôs conectados, coordenados entre si, e projetados para navegar pela superfície de oceanos de modo autônomo, para absorção e processamento de petróleo nos próprios locais em que ocorra um vazamento.

Cada robô tem 16 metros de comprimento e sete metros de largura. Seu mecanismo de autopropulsão pode funcionar continuamente por semanas, através do uso de células fotovoltaicas que permitem transformar energia solar em energia elétrica.

Com a utilização de nanotecnologia foi desenvolvida uma esteira que impulsiona cada unidade. Seu material possui uma fina malha de nanofios com capacidade de isolar e absorver óleo numa quantidade correspondente a 20 vezes o seu peso. Ao ser aquecido, o material possibilita que o óleo seja retirado e queimado localmente, e a nanofibra reutilizada.

Com relação à poluição que a queima do óleo pode causar, o diretor do SENSEable City Lab, Carlo Ratti em declaração ao The New York Times justificou a opção de queimar o óleo localmente, em função de os robôs poderem continuar trabalhando sem interrupção. Como alternativa, Ratti sugere a utilização de grandes reservatórios flutuantes utilizados pelos robôs para depositar o óleo que seria recolhido por um petroleiro posteriormente.

Uma das principais características do Seaswarm é o comportamento de enxame entre múltiplas unidades. A interação e coordenação entre uma grande quantidade de robôs usando GPS e tecnologias sem fio resultariam na formação de “equipes”. Entre outras vantagens, estas equipes atuariam buscando uma distribuição adequada a diferentes circunstâncias, como locais de difícil acesso, grandes áreas ou a ocorrência de movimentação nas manchas de petróleo. As unidades podem colher informações específicas e engajar outras para execução mais eficiente da limpeza.

O protótipo inicial do Seaswarm está sendo exibido na Bienal de Veneza.

Site do projeto:
SENSEable City Laboratory – Seaswarm

Referências:

The New York Times
Will Robots Clean Up Future Oil Spills? por Tom Zeller Jr.

KurzweilAI
MIT researchers unveil autonomous oil-absorbing robot

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Mandelbox, Fractal 3D

Mandelbox é um fractal tridimensional criado a partir de uma fórmula matemática desenvolvida por Tony Lowe no início de 2010.

música: Dajuin Yao – Satisfaction of Oscillation

Baseado nos preceitos da geometria fractal proposta pelo matemático Benoît B. Mandelbrot nos anos 20, a estrutura 3D de Mandelbox tem a forma de um cubo. Visto de longe pode parecer um “bloco de concreto”, mais ao avaliar sua estrutura de perto, percebemos que ela apresenta uma complexidade surpreendente.

Música: Crystal Harmony (Ray Kelley Band)

No site Syntopia, podem ser encontradas algumas dicas sobre como produzir seu próprio Mandelbox.

Referências:

Syntopia
Folding Space: The Mandelbox Fractal

Wired
Showtime: Mandelbox Zoom by Hömpörgő” por Bruce Sterling

Colaborou:
Francisco Arlindo Alves

Mapa termográfico urbano

O site “Zoom into Your Roof” disponibiliza aos moradores da cidade de Antuérpia, um mapa em que pode ser verificado o calor irradiado pelos telhados das habitações onde vivem.

Durante quatro noites do último inverno, um avião sobrevoou 21 cidades da região de Antuérpia, e tirou fotos infravermelhas. As fotos foram “sobrepostas” aos mapas disponibilizados pelo Google Maps na internet.
O projeto tem um duplo propósito: econômico e ambiental. Os telhados que emitem mais calor revelam uma deficiência no seu isolamento térmico, o que está diretamente ligado a um maior consumo de energia durante o inverno. A conseqüencia é a elevação dos gastos com petróleo e gás, e o aumento emissões de poluentes.
Por meio no mapa, habitantes podem se organizar, trocar experiências e tomar providências baseadas na visualização das construções em que o isolamento do telhado funciona de modo eficiente e onde pode ser melhorado.

Referências:

Zoom into your Roof: Checking the Thermal Performance of Homes
http://infosthetics.com/archives/

Zoom into Your Roof
http://zoominopuwdak.antwerpen.be/

Colaborou:
Francisco Arlindo Alves

Sobre a célula sintética

Tem produzido grande repercussão em todo mundo, o anúncio da criação da primeira célula sintética pela equipe de investigação liderada por Craig Venter do J. Craig Venter Institut, publicado em artigo da edição de 20 de maio da ScienceExpress.

imagem original: J. Craig Venter Institut

A evolução da ciência genômica nos últimos anos, se direcionou no sentido de permitir a “leitura” do código genético dos organismos vivos através do seqüenciamento do seu DNA. As informações identificadas no processo são inseridas em computadores de forma que a composição química do DNA seja convertida em “zeros” e “uns”. O anuncio feito esta semana, apresenta a possibilidade de inversão deste processo, de forma que a partir dos “zeros” e “uns” gerados por um computador se possa definir as características de uma célula viva, ou seja indica o surgimento da capacidade de escrever o software da vida, inaugurando uma nova era na ciência. É possível vislumbrar uma enorme quantidade de aplicações, como a produção de bactérias úteis, que podem ser utilizadas em novas vacinas e medicamentos, biocombustíveis, ou na limpeza do meio ambiente.

O artigo publicado relata que os cientistas conseguiram produzir em laboratório um genoma sintético e transferi-lo para a célula de uma bactéria (Mycoplasma mycoides), o mesmo substituiu o DNA original do organismo, passando a controlar a célula.

Várias discussões em torno do assunto circundam as esferas da ética, da ciência e da religião. O governo americano solicitou imediatamente um estudo à comissão de bioética da Casa Branca, para levantar os limites éticos implicados na questão. Ao mesmo tempo autoridades católicas italianas, mostraram perplexidade ao declarar que a pesquisa seria um “devastador salto ao desconhecido”.

Em declarações reproduzidas em artigo do Pesquisa Fapesp, o pai da célula sintética, Craig Venter afirmou que “trata-se de um avanço tanto filosófico como técnico”, e acrescentou que a célula sintética criada seria “a primeira espécie que se autorreplica do planeta cujo pai é um computador”.

imagem original: J. Craig Venter Institut

No intuito de esclarecer possíveis equívocos, especialistas têm se manifestado sobre o tema. Em artigo publicado no Correio Brasiliense, Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), afirma que “os pesquisadores transformaram uma célula viva em outra célula. O que foi colocado de diferente é o genoma. O certo, então, é falarmos em uma célula programada”. No mesmo artigo, Marcelo Briones, chefe da disciplina de microbiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que “há uma grande diferença entre biologia sintética e vida artificial”. A longo prazo, várias são as possibilidades existentes, inclusive, de desenharmos um organismo do jeito que quisermos”.

Referências:

Pesquisa Fapesp
O impacto da biologia sintética

J. Craig Venter Institute
First self-replicating synthetic bacterial cell

O artigo publicado na edição de 20 de maio da ScienceExpress
Synthetic Biology Breakthrough

Correio Brasiliense
Primeira célula com DNA semi-sintético causa reações do governo dos EUA e da igreja

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

causa(s) mortis: entre stress, pesticidas e celulares

Em 2006, pedi que os alunos de design de interfaces fizessem uma pesquisa sobre as causas mortis de colônias de abelhas em vários países e continentes.  Hoje saiu mais uma matéria sobre o assunto na FAZ:  há mais controvérsias sobre causas da ” Colony Collapse Disorder”  do que sobre impactos do fenômeno na economia dos vários países.

http://www.spiegel.de/video/video-17343.html