Jornalismo-Drone: manifestações vistas do céu de Istambul

Um cidadão comum utilizando um Drone, veículo aéreo não-tripulado (VANT) controlado por rádio, tem ajudado a registrar manifestações populares na Turquia.

A aeronave equipada com uma câmera é controlada por Jenk K, usuário da plataforma de vídeo Vimeo , conhecido como “Sky Pilot” no Twitter. Numa iniciativa de jornalismo cidadão, Jenk produziu diversos vídeos documentando as manifestações de modo panorâmico, revelando cenas dramáticas e violentas do embate entre ativistas e policiais.

Uma das aeronaves foi abatida por balas de borracha atiradas pelas forças polícia, conforme o vídeo abaixo:

As manifestações na Turquia foram iniciadas como um ato contra a construção de um shopping no parque Gezi, em Istambul, e se ampliaram após uma ação brutal de policiais contra cidadãos, se transformando num movimento de contestação ao governo.

Referências:

Mashable
Watch: Incredible Drone Journalism Footage of Istanbul Protests por Alex Fitzpatrick

DIY drones
Man whose RC drone was shot down over Turkey protest returns to the skies por Matthew Schroyer

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Evento: “A Internet para além da superfície”

deepweb

Questões cruciais para o futuro da internet como o anonimato, a privacidade, a liberdade de expressão e questões regulatórias serão discutidas no evento “A Internet para além da superfície: direito, tecnologia e redes anônimas” que acontece hoje dia 06/06 às 19h no Auditório Arcadas (no 4º Andar Intermediário do Prédio Anexo da Faculdade de Direito da USP).

A iniciativa é do NDIS USP (Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da Faculdade de Direito da USP), que terá uma nova linha de pesquisa, estruturada em temas relacionados a navegação nas redes anônimas (“deep web”), que consiste uma camada submersa do uso da internet.

Na perspectiva do NDIS USP, “a deep web oferece conteúdos que não fazem parte da “navegação de superfície”, isto é, aquela indexada por mecanismos de busca… Nesse ambiente, é possível fugir do monitoramento de conteúdos por parte de regimes autoritários (projeto Tor) ou comercializar determinados produtos qualificados como contrabando em algumas jurisdições (Silk Road).

Participam da mesa Demi Getschko (Diretor Presidente do NIC.br e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil), Virgilio Afonso da Silva (Professor Titular da FDUSP e responsável pelo NDIS) e Ronaldo Lemos (Fundador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio e representante do MIT Media Lab no Brasil).

Mais informações no site do NDIS USP, no e-mail ndisusp@gmail.com

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Sentient City Survival Kit

Sentient City Survival Kit é um projeto de pesquisa em design que propõe uma série de artefatos experimentais para subverter o funcionamento de tecnologias digitais de vigilância e marketing que interferem na privacidade e autonomia dos indivíduos.

O arquiteto Mark Shepard concebeu o projeto, a partir da perspectiva de que as cidades se tornam cada vez mais inteligentes, e podem sentir, lembrar e antecipar o comportamento das pessoas. Sua proposta busca refletir sobre as implicações deste “futuro próximo” em que sistemas de informação baseados em computação ubíqua, espalhados pelo espaço urbano podem executar uma monitoração reflexiva, ao captar informações inadvertidamente por meio de câmeras ocultas, sistemas de tráfego, registro de navegação na internet, telefones, bilhetes de transporte público, e até mesmo roupas e sistemas de medição da corrente galvânica da pele, entre outros recursos.

As soluções elaboradas visam defender o indivíduo das ameaças invasivas destas tecnologias. Para despistar as câmeras de vigilância, foi desenvolvido um guarda-chuva equipado com 256 LEDs infravermelhos que piscam e confundem a visão da câmera. Outra solução é um sistema denominado Serendipitor que ao invés de fornecer a rota mais curta para um destino, sugere caminhos sinuosos que enriquecem o trajeto com outros lugares interessantes, propiciando uma navegação lúdica pela cidade. Shepard concebeu também um dispositivo equipado com sensores que acoplado a roupa íntima pode vibrar ao detectar sistemas de leitura de dados num espaço público.

Sentient City Survival Kit tem apoio do New York State Council on the Arts (NYSCA). Todos os projetos estão reunidos num livro publicado pela  MIT Press. A obra é ilustrada com esquemas, instruções de construção, lista de peças, e códigos fonte, além de apresentar ensaios de pensadores sobre o tema.

Referências:

CARNET DE NOTES
Sentient City por André Lemos

WIRED.UK
‘Sentient City Survival Kit’ lets citizens flirt with surveillance por Daniel Nye Griffiths

Eyebeam
Sentient City Survival Kit

Boing Boing
Sentient City Survival Kit: gadgets to foul the surveillance state and amuse the bearer por Cory Doctorow

 

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

 

 

Drones criando espaços de liberdade em redes digitais nômades

Electronic Countermeasures é um projeto que busca criar espaços de liberdade utilizando um conjunto de drones interativos e autônomos que produzem uma infraestrutura para redes digitais nômades.


Foto: Claus Langer

Os drones, veículos aéreos não-tripulados (VANTs), são geralmente utilizados em estratégias militares. Silenciosos e com um custo inferior ao de um avião com piloto, os veículos não são usados apenas em bombardeios, mas em projetos em desenvolvimento pelo exército americano que visam criar conexões e redes. Se um governo inimigo bloquear o acesso à internet para impedir a articulação de protestos com o uso das redes sociais e mensagens de texto, os drones poderiam criar redes que funcionariam como alternativas de conexão para a população.

Corrompendo as lógicas militares, Electronic Countermeasures se inspira na mesma concepção de infra-estrutura de comunicação nômade, mas para a criação de uma rede temporária de compartilhamento de arquivos. Uma internet “pirata” por meio de conexões WIFI.

Foi construído um grupo de drones quadrotores (helicópteros com quatro motores) orientados por GPS, a partir de componentes direcionados inicialmente às funções de reconhecimento aéreo e vigilância policial. Os veículos se conectam dinamicamente uns aos outros, num comportamento denominado como de enxame, uma metáfora dos insetos sociais, em que há uma ênfase na descentralização do controle.

Quando as pessoas conectam seus laptops e celulares a rede criada temporariamente, as naves brilham utilizando cores vibrantes e seu o balé aéreo se torna mais dramático e expressivo.  Após um determinado intervalo de tempo conjunto se dispersa, podendo se reunir em outro lugar.

O projeto foi elaborado pelo estúdio anglo-indiano de design Superflux que contou com uma equipe formada pelos arquitetos e designers Oliviu Lugojan-Ghenciu e Liam Young, além de Eleanor Saitta que é hacker, designer, artista e escritora.

Electronic Countermeasures foi apresentado no festival de arte e luz GLOW, que aconteceu em 2011 na cidade holandesa de Eindhoven.

Referências:

Superflux
Exploring the design, interactions, and social possibilities of a new form of nomadic infrastructure.

P2P Foundation
Electronic Countermeasures – a demonstration project at Netherlands GLOW festival por Sepp Hasslberger

Tomorrows Thoughts Today
Under Tomorrows Sky. A new project for the Future City por Liam Young

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Vírus Flame, ciberguerra e ciberespionagem

Considerado um dos mais complexos, maiores e poderosos softwares maliciosos já descobertos, o chamado “vírus Flame“, representa um novo conceito adotado nas estratégias de ciberguerra e ciberespionagem, segundo especialistas em segurança na internet.

Flame 2233656b ...item 3.. Flame turns an infected computer into a kind of 'industrial vacuum cleaner,' (29 May 2012) ...item 4B..Look For a Star - Billy Vaughn and His Orchestra  ..

O vírus pode se apropriar de sensores das máquinas, como microfones e webcams para gravar o que está sendo falado ao seu redor, além de roubar documentos, tirar cópias de tela e gravar conversas realizadas por serviços de voz (Skype) ou por mensagens instantâneas, e controlar o computador remotamente. Também pode ser realizada a captação de dados de nomes de usuário, senhas e documentos em outros dispositivos conectados em redes ou localizados perto do computador infectado por meio da tecnologia Bluetooth. A ameaça foi detectada em centenas de computadores, principalmente em países do Oriente Médio como Irã, Israel, Palestina e Síria.

A International Telecommunication Union (ITU) solicitou um estudo para a Kaspersky Lab, empresa líder em soluções de segurança na internet liderado pelo especialista Alexander Gostev. O trabalho revelou que o vírus Flame foi desenvolvido especificamente para espionar os usuários de computadores infectados e transmitir os dados coletados para o “comando e controle” de servidores que são utilizados por hackers localizados provavelmente em dezenas de países.

Outro estudo foi realizado pelo Laboratory of Cryptography and Systems Security (CrySyS), grupo da Universidade de Tecnologia e Economia de Budapeste (Hungria). Neste análise, foi considerado o tamanho do vírus de 20 MB (20 vezes maior que outros dos mais poderosos vírus já descobertos), e sua complexidade, para deduzir que seu desenvolvimento não foi executado por um grupo de crackers com intenção de ganhar dinheiro, mas por alguma agência governamental de um Estado que investiu grande orçamento e esforço no intuito de utilizá-lo em atividades de guerra cibernética.

O vírus tem se espalhado desde fevereiro de 2010 sem ser detectado, e segundo os especialistas pode levar mais um ano para que se possa entender completamente como ele funciona.

Referências:

El País
Flame, el código malicioso más complejo para ciberespiar

TheHuffingtonPost.com
‘Flame’ Malware Is Spying On Middle East Computer Users, Researchers Say por Gerry Smith

ReadWriteWeb
The Flame Virus: Spyware on an Unprecedented Scale por Dan Rowinski

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Google, censura e negócios

Sergey Brin, um dos cofundadores do Google, em entrevista ao The Wall Street Journal, faz um relato sobre a decisão da empresa de não exercer a censura nos resultados das buscas imposta pelo governo chinês e sua  decisão de encerrar suas operações baseadas na China.

Brin aborda temas como o totalitarismo e relembra sua infância na União Soviética (ele foi para os Estados Unidos com 6 anos de idade). Para ele, as crescentes evidências de um comportamento repressivo por parte das autoridades chinesas, reavivaram as memórias da época em que tinha sua casa visitada pela polícia russa, em que testemunhou a discriminação anti-semita contra seu pai, que queria ser um astrofísico, mas por causa desta discriminação tornou-se um matemático. Esta experiência pessoal com o totalitarismo influenciou sua defesa do encerramento das censuras na operação chinesa perante os executivos da empresa.

Quando aconteceu o ataque cibernético em finais de 2009, o Google ainda estava avaliando suas opções na China, afirma Brin. Segundo ele, ao investigar a motivação dos ataques, foram encontradas provas suficientes que o objetivo era espreitar os e-mails de ativistas chineses de direitos humanos.

A reportagem do jornal informa que a decisão já tem afetado os negócios da empresa na China: A China Unicom Ltd. segunda maior operadora de telefonia móvel no país, anunciou que não iria instalar as funções de busca do Google em novos aparelhos dada a sua decisão de interromper a censura. Ao mesmo tempo ocorre uma migração de funcionários do Google na China para rivais como a Microsoft Corp, de acordo com recrutadores.

Por outro lado, atitude da empresa tem recebido pouco ou quase nenhum apoio de outras empresas como Yahoo e Microsoft. O portal EXAME, também publicou uma matéria sobre o assunto: “Google tem poucos aliados em batalha chinesa”. O texto descreve a existência de um “silêncio ensurdecedor na arena empresarial dos Estados Unidos” que isola o Google na utilização da “liberdade da Internet” como lema de seu embate com o governo Chinês.

Entrevista com Sergey Brin

Brin Drove Google to Pull Back in China (The Wall Street Journal)

Google tem poucos aliados em batalha chinesa (EXAME)

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Favelas Georreferenciadas

Serviços de pesquisa e visualização de ruas e mapas na internet geralmente não abrangem favelas. O projeto Wikimapa coordenou a elaboração de mapas de ruas e vielas de comunidades de baixa renda no Rio de Janeiro. Os mapas são construídos num sistema colaborativo bottom-up, agregando valor pela participação dos próprios moradores (wiki-repórteres).

Morro Santa Marta Georreferenciado pelo projeto wikimapa
Morro Santa Marta Georeferenciado pelo projeto wikimapa

O projeto piloto envolveu as comunidades do Complexo da Maré, Complexo do Alemão, Santa Marta, Pavão Pavãozinho e Cidade de Deus. Usando o celulares ou internet os habitantes podem se informar ou enviar informações sobre trajetos ou locais de interesse como escolas, pontos de comércio, hospitais, igrejas, clubes, bares, lan houses entre outros.

As novas formas de apropriação do produzidas, refletem uma relação renovada entre indivíduos e seu entorno intensificando a discussão de questões como a sustentabilidade, tratamento do lixo, a iluminação pública, a precariedade de serviços como correio, fornecimento de água, atendimento médico, a segurança pública em razão das intervenções da polícia pacificadora, a violência e a marginalidade. São discussões que alcançam o campo político e social.

Ao mesmo tempo práticas como esta colaboram na desmistificação destes locais para o observador que vive fora desta comunidades, revelando a perspectiva dos próprios moradores que difere substancialmente da veiculada pelos meios de comunicação em geral. As informações mostram outros aspectos da vida cotidiana deste lugares, fugindo do enfoque centrado apenas no tráfico de drogas ou violência.

Site do projeto:

http://wikimapa.org.br

Colaborou:  Francisco Arlindo Alves

Sociedades de Controle

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Este vídeo é baseado na perspectiva abordada pelo filósofo Gilles Deleuze no texto “Post-Scriptum sobre as Sociedades de Controle“. O video é produzido pelos professores Gary Hall (School of Art and Design at Coventry), Clare Birchall (University of Kent) e Pete Woodbridge. Continue reading “Sociedades de Controle”