Robos imprimíveis e automontáveis inspirados em origami

Pesquisadores do MIT trabalham no desenvolvimento de robôs a partir de peças planas produzidas por impressoras 3-D que se dobram quando aquecidas. A tecnologia permite a montagem automatizada em configurações tridimensionais pré-determinadas.

A técnica se baseia na sobreposição de uma folha de PVC entre duas películas de um poliéster rígido crivadas com fendas de larguras diferentes. O calor faz com que a camada do meio se contraia, forçando a folha a se dobrar em ângulos diferentes, conforme a largura do sulco.

O desafio dos pesquisadores é aperfeiçoar o controle sobre a configuração final. A complexidade deste processo está relacionada ao fato de que as dobras  do material ocorrem de modo  simultâneo, influenciando seus ângulos mutuamente. Neste sentido, as folhas são projetadas com vincos impressos ou criados por corte a laser, com base em cálculos matemáticos efetuados por um programa de computador com o objetivo de gerar com exatidão as formas que os pesquisadores querem produzir.

A pesquisa é liderada por Daniela Rus, que se baseou em trabalhos anteriores realizados por Erik Demaine, professor de ciência da computação e engenharia no MIT. Demaine pesquisou adaptação de técnicas de origami para criação de robôs reconfiguráveis. Como parte do projeto, estão sendo desenvolvidos componentes elétricos auto dobráveis, tais como sensores, atuadores e resistores para ajudar a trazer essas máquinas para a vida.

A ideia é fornecer ferramentas de design para que indivíduos que não são especialistas consigam construir suas próprias máquinas de modo mais fácil e barato.

Referências

The Kurzweil Accelerating Intelligence
Self-assembling printable robotic components

MIT News
Bake your own robot

Newscientist
High-tech origami folds itself when heat is on por Aviva Rutkin

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Impressora 3D constrói casa de 2.500 pés quadrados em 20 horas

Impressora 3D criada por pesquisadores na Califórnia tem capacidade para construir uma casa de 2.500 pés quadrados (aproximadamente 232 metros quadrados) em 20 horas.

Desde 2008, uma equipe liderada pelo Professor Behrokh Khoshnevis da Universidade do Sul da Califórnia, elabora pesquisa sobre uma nova tecnologia de fabricação em camadas chamada Contour Crafting.

A tecnologia não utiliza termoplásticos (material normalmente adotado em impressões 3D), mas camadas de concreto sobrepostas depositadas por meio de um bico suspenso por um guindaste pórtico, com movimentos controlados por computador.

Podem ser construídas paredes retas,curvas, ou estruturas em forma de cúpula ou domus.

Entre os usos previstos, os pesquisadores propõem que este tipo de construção, por ser mais barata, rápida e eficiente, pode ajudar a substituir habitações precárias que contribuem para o aumento de doenças em regiões pobres ou em áreas destruídas por desastres naturais.
Também está sendo estudada a utilização em colônias fora do planeta como a Lua ou Marte para construção de edifícios, estradas, cabides e habitats para o ser humano.

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Referências:

Mashable
The Answer to Affordable Housing Could Lie Within a 3D Printer por Alex Magdaleno

Huffington Post
This 3D Printer, Capable Of Building A House In A Day, Could Change Construction Forever por Kathleen Miles

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

 

Exposição Adhocracy discute a nova revolução industrial

Adhocracy” é uma das exposições que se destacam por explorar a chamada “nova revolução industrial” e a transformação radical do design e dos processos de fabricação por meio de inovações como a impressão 3D, sistemas de software abertos e redes distribuídas.

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Com curadoria de Joseph Grima, a exposição foi apresentada originalmente na Bienal de Design em Istambul (2012) e posteriormente em Nova York (03/2013). Em Londres (09 e 10/2013) foi adaptada por Thomas Ermacora para ocupar os espaços da Galeria Limewharf, compondo parte da programação do London Design Festival 2013.

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O termo “Adhocracy” (utilizado pelo futurólogo Alvin Toffler), foi escolhido pelos organizadores por significar “uma organização sem estrutura que é utilizada para resolver problemas em oposição a uma burocracia”. Com obras originais da África, Europa e Américas “Adhocracy” representa a vanguarda da ecologia de fabricação digital, questionando a própria definição de design.

Conforme Joseph Grima (em tradução livre) o mundo das pessoas que fazem as coisas está em convulsão. O exponencial crescimento de redes de comunicações globais para protótipos digitais de baixo custo transforma radicalmente a vida cotidiana, o que sugere uma nova revolução industrial. Se a última revolução era sobre fazer objetos perfeitos, milhões deles, absolutamente idênticos, esta é sobre fazer apenas um, ou alguns. Seu nascedouro não é a fábrica, mas a oficina, e sua tábua de salvação é a rede.

Em consonância com a perspectiva defendida por Grima, “Adhocracy” propõe que a expressão máxima do design seja cada vez menos um “objeto fechado”, para ao invés disso se transformar no processo em si. Este deslocamento é favorecido pela ativação de sistemas abertos, ferramentas que moldam a sociedade permitindo a auto-organização em plataformas de colaboração que subvertem a competição capitalista, e fortalecem as redes de produção.

O conteúdo da exposição é heterogêneo e com uma abrangencia ampla, abarcando desde a inovação médica à crítica cultural e política, de design de móveis até fabricação de armas. Alguns dos trabalhos e artistas que compõe “Adhocracy” serão destacados e comentados nos próximos posts.

Referências:
Londonist
Adhocracy: Hacking The Design Process In Hackney

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

A revolução D.I.Y. das impressoras 3D e fabricação digital na arquitetura, arte e design

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“Autoretrato” Richard Dupont (2008) | Fonte: Mad Museum

Até julho de 2014, o Museum of Arts and Design (MAD) de Nova York promove uma grande exposição que apresenta as possibilidades criativas proporcionadas pelos novos métodos de fabricação digital.

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“3-D printed dress” by Michael Schmidt (2013) | Fonte: Mad Museum

Tecnologias como impressoras 3D, tricô digital, usinagem e máquinas CNC (Controle Númerico por Computadorizado), entre outras, são utilizadas nos trabalhos expostos e discutidas em palestras e workshops.

Com foco nos universos da arte, design e arquitetura, a exposição “Out of Hand” foi organizada pelo curador do museu Ron Labaco. A proposta é explorar a criatividade do século 21 potencializada por métodos avançados de produção assistida por computador. Obras de 80 artistas de vários países contemplam criações nos campos da escultura, arte, acessórios para moda, objetos de design, e projetos de arquitetura.

“Out of Hand” revela como artistas individuais, arquitetos e designers ampliam suas oportunidades com métodos DIY “faça você mesmo” (DIY: Do It Yourself) na busca de abordagens criativas não-convencionais por meio do acesso aos recursos de fabricação digital de hoje.

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Julian Mayor (2005)| Fonte: Mad Museum

Conforme divulgado pelos seus organizadores, é a primeira grande exposição do museu a considerar o impacto destes novos métodos revolucionários de fabricação assistida por computador. O objetivo é explorar uma transição monumental na forma como os seres humanos compreendem a criação, desde os primeiros objetos concebidos e produzidos por fabricantes individuais através das ferramentas de inovação tecnológica.

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Frank Stella (2011)| Fonte: Mad Museum

Programação de workshops
A exposição será acompanhada por uma lista ativa de programas públicos de ensino, a partir de oficinas e palestras para envolver os visitantes nos processos de criação e desenvolvimento dos artistas para revelar o potencial de longo alcance de muitas dessas novas tecnologias. Seguem abaixo algumas das atividades:

Everything You Wanted to Know About 3D Printing but Didn’t Know Who to Ask

Intro to 3D Printing, Software, Materials, and Processes

Intro to 3D Design for 3D Printing

3D Printing for Sculptors

The Once and Future Interior

3D Printing for Sculptors

3D Printing for Jewelers

3D Printing for Fashion

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Remixando brinquedos: Free Universal Construction Kit

The Free Universal Construction Kit é um conjunto de 80 peças adaptadoras que permitem a interoperabilidade entre vários tipos de brinquedos de montar produzidos por diferentes fabricantes.

Qualquer pessoa pode produzir as peças por um baixo custo usando uma impressora 3D. Os modelos digitais das peças são disponibilizados gratuitamente no site do projeto ou no Thingiverse.com, e todo o material é distribuido por uma licença de direitos autorais aberta Creative Commons.

O kit permite que a criança explore melhor o seu potencial criativo ao facilitar a interligação de uma peça a qualquer outra, integrando diferentes sistemas de brinquedos. Há uma diversificação das possibilidades construtivas ao invés do número limitado de combinações de um sistema fechado.

Além de proporcionar a criação de novos projetos com brinquedos de montar, The Free Universal Construction Kit tem a proposta de provocar uma reflexão sobre questões relacionadas à propriedade intelectual e cultura de código aberto, e demonstrar um modelo de engenharia reversa como uma atividade cívica. Nesta perspectiva, um processo criativo conduzido por qualquer pessoa pode desenvolver peças necessárias para reduzir as limitações apresentadas por artefatos comerciais produzidos em massa.

A iniciativa do projeto é do F.A.T. Lab e do Sy-Lab, ambos coletivos que reúnem designers, artistas, programadores, desenvolvedores.

Referências

SCRIPTed – A Journal of Law, Technology & Society
The Intellectual Property Implications of Low-Cost 3D Printing por Simon Bradshaw, Adrian Bowyer° and Patrick Haufe

F.A.T.
The Free Universal Construction Kit por fffffa

Object and Matter
Free Universal Construction Kit

WIRED

Ars Electronica at the ITU in Bangkok por Bruce Stering

 

Colaborou: Francisco Arlindo Alves