Começa a CryptoRave, com 24 horas de oficinas, exposições, debates e palestras

Hoje, 19hs, 11 de abril de 2014, começa a CryptoRave, uma maratona de 24 horas de atividades sobre segurança, criptografia, hacking, anonimato, privacidade e liberdade na rede.
cryptorave
O evento acontece Centro Cultural De São Paulo, e abrange oficinas, exposições, debates e palestras visando popularizar e difundir conceitos visando possibilitar que as pessoas comuns tenham “condições de defender sua privacidade e proteger suas informações”. Entre os variados temas que serão abordados estão o jornalismo investigativo, espionagem, cyberguerras, biometria, criptomoedas, liberdade na rede, neutralidade da rede, criptografia para mulheres, e os direitos do consumidor na internet.

O conjunto de convidados abrange pesquisadores, ativistas e jornalistas como Klaus Wuestefeld, Jorge Stolfi (UNICAMP), Bob Fernandes (jornalista), Natália Viana (Agência Pública), Sérgio Amadeu (UFABC), Bruna Provazi e Jérémmie Zimmermann (La Quadrature du Net), e muitos outros.

Conforme divulgado pelos organizadores, a CryptoRave segue a lógica das cryptoparties eventos que ocorrem em diversos países e “fazem parte de um esforço global de popularizar o uso de ferramentas de criptografia para ampliar a segurança das pessoas que se comunicam nas redes digitais”.

As atividades ocorrem no Piso Caio Graco do Centro Cultural De São Paulo e a participação é aberta mediante inscrição online gratuita.

Colaboração: Francisco Arlindo Alves

Mídia NINJA: o jornalismo alternativo das mídias sociais


A Mídia NINJA, acrônimo de Narrativas INdependentes, Jornalismo e Ação é uma iniciativa de “jornalismo-cidadão” que se destaca e ganha poder de influência em meio às manifestações populares pelo país.

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O projeto surge num contexto em que cidadãos se apropriam intensamente de dispositivos e tecnológicos portáteis e de plataformas de publicação de conteúdos na internet para registrar e comunicar suas perspectivas de fatos e acontecimentos.

A idéia é estabelecer um contraponto aos meios de comunicação tradicionais (TVs, jornais e rádios), atraves do uso de recursos online como os disponibilizados pelo Facebook, Youtube, Twitter, ferramentas de streaming, e outros . A cobertura feita pelo grupo repercute de modo crescente tanto nas redes sociais, como também em TV e Jornais, durante os protestos em várias cidades, ao mostrar relatos interessantes, e ao mesmo tempo denunciar e prevenir abusos policiais.

Nesta semana, no decorrer dos protestos organizados no Rio de Janeiro, por ocasião da chegada do Papa, oito membros do grupo que transmitiam os eventos foram presos por policiais sem identificação, veja o vídeo acima. Uma multidão se reuniu em frente ao 9º DP da cidade até a soltura dos ativistas, ao final da noite.

A origem do projeto é o movimento “midialivrismo” que teve como laboratório inicial uma cobertura jornalística feita pelos membros da Rede Fora do Eixo, Rafael Vilela e Thiago Dezan, que percorreram 11 aldeias Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul. O material foi publicado no Coluna PósTV Guarani Kaiowá.

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Seguindo a proposta “midialivrista”, a Mídia NINJA foi criada em São Paulo, e se espalhou pelo país. Em suas primeiras ações seus integrantes foram à Tunísia para cobrir o Fórum Social Mundial de 2013. E na chamada “A Missão Marabala“, acompanharam o Julgamento do assassinato dos ativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, no interior do estado do Pará. Todo o material produzido foi licenciado em Creative Commons para livre uso e reprodução.

No áudio abaixo, o integrante Bruno Torturra entrevistado por Jacqueline Lafloufa, fala um pouco sobre as idéias do projeto, soluções e dificuldades técnicas, e as “gambiarras” necessárias numa cobertura em tempo real pela internet.

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Conforme seus organizadores, o grupo visualiza “o potencial de utilização dessas ferramentas on-line, além da crescente acessibilidade a cada vez mais equipamentos e por preços cada vez menores, abre-se espaço para uma real disputa de imaginário através de meios de difusão de informação acessíveis a todos“.

Em meio as discussões sobre formas alternativas de jornalismo, é interessante conhecer às criticas do repórter Arthur Rodrigues (Estado de S. Paulo) e ao resposta de Bruno Torturra (Mídia Ninja) publicada na Revista Forum.

Os conteúdos produzidos pelo Mídia NINJA podem ser acompanhados por vários canais entre eles Flickr, streaming via Twitcasting, Facebook e Twitter. Qualquer pessoa pode participar e dar sua contribuição.

Referências:

Observatório da Imprensa
POSTV, de pós-jornalistas para pós-telespectadores por Elizabeth Lorenzotti

CatracaLivre
“Ninjas” do jornalismo travam guerrilha pela liberdade da mídia por Felipe Blumen

O Estado de S. Paulo
No meio do redemunho por Camila Hesse

Blue Bus
Cobertura independente do Mídia NINJA – Blue Bus entrevista Bruno Torturra por Jacqueline Lafloufa

Mídia Livre – Fora do Eixo
A Mídia Livre Fora do Eixo

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Jornalismo de dados: The PANDA Project

The PANDA Project é um aplicativo criado para jornalistas que funciona como uma “biblioteca de dados”, que contribui no armazenamento, organização, pesquisa e análise das relações entre conjuntos de informações complexas.

Diferentes tipos de dados de interesse jornalístico podem ser levantados e cruzados, como por exemplo, registros de eleitores, relatórios policiais, resultados de pesquisas de meio ambiente, registros de informações judiciais, entre outros.
Além de funcionar como um motor de busca, tornando pesquisáveis todos dados armazenados, o recurso funciona como um serviço online de nuvem. O utilizador pode ter acesso aos dados de qualquer computador com acesso a internet, e desta forma economizar tempo e facilitar o trabalho.
The PANDA Project é elaborado por uma equipe liderada por Brian Boyer que se autodenomina “jornalista hacker”. Boyer já trabalhou em plataformas inovadoras de jornalismo online independente como o ProPublica.
Na visão de Boyer, a idéia é criar redações inteligentes para que os dados não fiquem presos a um disco rígido isolado, proporcionando um lugar em que as informações possam ser trabalhadas de modo mais colaborativo e dinâmico.

Referências:

Periodismociudadano.com
Cómo convertir los datos en noticias por Paula Gonzalo

Journalism.co.uk
PANDA: How the ‘data library’ for newsrooms saves time por Sarah Marshall

The PANDA Project
Welcome to PANDA!

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Jornalismo-Drone: manifestações vistas do céu de Istambul

Um cidadão comum utilizando um Drone, veículo aéreo não-tripulado (VANT) controlado por rádio, tem ajudado a registrar manifestações populares na Turquia.

A aeronave equipada com uma câmera é controlada por Jenk K, usuário da plataforma de vídeo Vimeo , conhecido como “Sky Pilot” no Twitter. Numa iniciativa de jornalismo cidadão, Jenk produziu diversos vídeos documentando as manifestações de modo panorâmico, revelando cenas dramáticas e violentas do embate entre ativistas e policiais.

Uma das aeronaves foi abatida por balas de borracha atiradas pelas forças polícia, conforme o vídeo abaixo:

As manifestações na Turquia foram iniciadas como um ato contra a construção de um shopping no parque Gezi, em Istambul, e se ampliaram após uma ação brutal de policiais contra cidadãos, se transformando num movimento de contestação ao governo.

Referências:

Mashable
Watch: Incredible Drone Journalism Footage of Istanbul Protests por Alex Fitzpatrick

DIY drones
Man whose RC drone was shot down over Turkey protest returns to the skies por Matthew Schroyer

Colaborou: Francisco Arlindo Alves

Newstweek, manipulador de notícias

Newstweek é um dispositivo que pode manipular notícias acessadas por laptops e celulares em hotspots (pontos de acesso à internet sem fio em cafés, bibliotecas ou aeroportos).

O trabalho é ganhador do prêmio Golden Nica do Prix Ars Electronica na categoria Interactive Art.

Criado pelo neozelandês Julian Oliver e pelo russo Danja Vasiliev, ambos artistas radicados em Berlim, o dispositivo de aparência imperceptível intercepta redes wifi e permite modificar os dados transmitidos por agências de notícias, de forma que um usuário da Web pode ler notícias modificadas sem se dar conta.

A proposta dos artistas, que é Newstweek favoreça a uma reflexão sobre dois aspectos da comunicação digital:

O primeiro procura alertar a respeito da constatação de que a distribuição de notícias ainda segue um modelo tradicional, num fluxo de cima para baixo, tornando o leitor uma vítima de interesses políticos e corporativos que sempre buscaram manipular a opinião pública. Por este prisma, o dispositivo proporciona que os próprios cidadãos tenham sua vez, fazendo uso de uma ferramenta para manipular a mídia.

O segundo aspecto é sinalizar sobre a vulnerabilidade de uma realidade estritamente definida por redes digitais. Neste sentido, o trabalho chama a atenção sobre a condição dos conteúdos que circulam por meio de um sistema que pode facilmente ser alvo da manipulação de informações durante o percurso em que os dados viajam desde sua origem até o seu destino.

Referências:

Arte, cultura e innovación
Sistemas vivos y redes de datos: los Golden Nica de Ars Electronica 2011 por Pau Waelder

Neural
Newstweek, mutant news por Chiara Ciociola

Vague Terrain
Newstweek: Network Permeability and Headline Hacking por Joshua Noble

Colaborou: Francisco Arlindo Alves